E, por causa da gula, fui vítima mais uma vez da Vejinha, essa juiza que costuma endeusar mediocridades, principalmente no mundo da baixa gastronomia.
Passei uns dias no Guarujá e, como faço sempre, procurei conhecer um boteco novo em Santos. (gosto de Santos, um caso exemplar de recuperação urbanística). Fui à Vejinha Verão e lá estava: Bar do Toninho, no Embaré, "o melhor bolinho de bacalhau da Baixada Santista". Pus a mulher e as crianças no carro – que adoram bolinho, atravessei a balsa – e lá fui.
Bem, uma das meninas não conseguiu comer um inteiro, largou no meio e pediu "pai, posso comer um pastel?". E assim, aproveitei e conheci o pastel, que também não chega nem ao calcanhar de um exemplar de qualquer feira livre de São Paulo.
Das duas, duas: ou os críticos da Vejinha não entendem nada de bolinho de bacalhau, ou não experimentam o que recomendam - e neste caso não deveriam recomendar.

Bem, o tal bolinho do Toninho só perde para o pastel de bacalhau do Mercadão, outra pérola falsa da Vejinha e de alguns midiáticos chefs.
Acha que estou exagerando? Vá até o Embaré quando estiver lá embaixo. Local barulhento (pecado menor para um boteco), banheiro sujo e sem papel de nenhum tipo e centenas de bolinhos, pastéis, empadas e risolis engordurados e amontoados em estufas mornas.
Única coisa que se salvou: a cerveja gelada, que não é mérito nenhum.
Ééé...a vida de quem gosta de comer não é bolinho. Muito menos do Toninho.