terça-feira, 19 de novembro de 2019
QUE GIRO!
Uma das primeiras coisas que escuto de qualquer brasileiro que acaba de chegar a Portugal, é como os portugueses são engraçados ao falar. E para designar as coisas usam umas palavras que não têm nada a ver, dizem. Podem não ter nada a ver com a opinião de quem faz essa observação, o que não significa que não tenham nada a ver com o que designam. Na condição de artífice (ainda que medíocre, no sentido de médio, no expert) das palavras, pus-me a pensar e a fazer uma comparação entre os nomes das coisas em Portugal e no Brasil. E descobri que algumas fazem muito mais sentido em português de Portugal.
Senão, vejamos:
AÇOUGUE e TALHO. Você sabe mesmo o que quer dizer “açougue”? Conhece a etimologia da palavra, a sua origem? (esqueça a imagem que lhe vem à memória quando a ouve, pense só na palavra em si). Já “talho” vem de talhar, cortar. Faz muito mais sentido, porque é isso que se faz com a carne no açougue.
Outra: BALA e REBUÇADO. O que é “bala”? Quantas coisas designa essa palavra? Manda bala (vai em frente, corre...), bala de revólver, bala de canhão... Ou seja, para ser apenas uma ingênua palavra que designe uma guloseima, no Brasil a palavra precisa de um contexto. Em Portugal não: rebuçado não designa nenhuma outra coisa que não seja isso.
BANHEIRO e CASA DE BANHO. Não sei porquê acham essa expressão tão engraçada. Devíamos rir também, então, quando ouvimos alguém dizer que vai ao “banheiro”, uma vez que a raiz das duas palavras é a mesma: banho. Sendo que em português de Portugal faz muito mais sentido: é a casa (no Brasil às vezes dizemos até “vou na casinha”) onde se toma banho. E se pensarmos no americanizado WC, então nem se compara ”Water Closet”, que numa tradução literal é um “gabinete de água”. Esses americanos, viu, são uns parvos!
CARTEIRA DE IDENTIDADE e BILHETE DE IDENTIDADE. Quando a polícia te pede a identidade o que você faz? Tira a sua carteira do bolso e entrega para o guarda? Claro que não., você abre a carteira e pega de lá o seu...bilhete de identidade. Nem preciso argumentar muito. Próxima:
CONVERSÍVEL e DESCAPOTÁVEL. Parece difícil defender essa, não? Mas é fácil. Literalmente, conversível é algo que se pode “converter” em outra coisa. Mas, quando você tira a “capota” de um carro ele continua sendo um carro. Não vira um caminhão, ou uma carroça. Portanto, você “descapota” o carro.
FAIXA DE PEDESTRES e PASSADEIRA. “Faixa”??? Como assim, faixa? De miss? De karatê? De comício? Novamente a necessidade de um contexto. Já “passadeira” designa apenas o lugar onde se passa, no caso, onde o pedestre passa.
PONTO DE ÔNIBUS e PARAGEM (nem vou falar de ônibus e autocarro). Paragem, óbvio, dá de dez a zero em ponto de ônibus. Primeiro é uma palavra só – que diz exatamente o que precisa ser dito. Segundo, serve para todos os tipos de transporte, embora tenhamos outras, como estação, por exemplo, mais usada nos casos de paragens de metro e trem, ou melhor, comboio.
Na próxima vez que um brazuca provocar meu lado tuga, vou dizer apenas: “ó pá, vai chatear o Camões”. Ops! expressões fixe é assunto para outro post.
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QUEM QUER QUENTES E BOAS? QUENTINHAS!
Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho!
“Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor pra casa”
Os versos que “cantam” O Homem das Castanhas, a apregoar o seu produto nas esquinas da cidade, eternizados na voz de Carlos do Carmo, é uma das marcas do outono em Portugal, onde a 11 de novembro se comemora o dia de São Martinho. A fumaça branca que se desprende dos assadores em centenas de esquinas em Lisboa, anuncia: habemus castanha assada!
Diz a lenda que um nobre cavaleiro romano andava a fazer a ronda quando viu um velho mendigo cheio de fome e de frio, porque estava quase nu. O dia estava chuvoso e o velhinho encharcado. O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar os pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada. Depois deu a metade da capa ao mendigo e partiu. Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo sol que durou três dias.
Lenda ou não o fato é que nestes próximos três dias (hoje por acaso um sol lindo entrou no nosso quarto logo pela manhã) não só Lisboa, mas muitas outras cidades, são tomadas pelos magustos e pelas festas da castanha, só comparáveis às festas da sardinha no mês de junho.
O cheiro das castanhas assadas, especialmente pra mim, traz de volta deliciosas recordações de infância, quando me juntava aos mais velhos da aldeia e junto com eles íamos para debaixo dos castanheiros de Chacim, devidamente acompanhados de dois ou três garrafões de vinho (feito em casa, óbvio, de primeira prova) e fazíamos uma grande fogueira, cuja base forrávamos com as castanhas recolhidas ali mesmo no chão, algumas retiradas ainda de dentro dos ouriços. Quando da fogueira restavam apenas cinzas e de nós pouco mais do que isso, com os garrafões já pela metade, afastávamos as cinzas e devorávamos as castanhas macias e quentinhas, acompanhadas pelo vinho que ainda restasse. A cerimônia durava o dia inteiro. A outra imagem que não se apaga é a de meia dúzia de borrachos, cantando enrolado e dançando abraçados uns aos outros (para não cairmos, óbvio), no caminho de volta pra casa no no final do dia.
Durante todo o outono a sartã (frigideira em português) toda furadinha embaixo e cheia de castanhas a assar, suspensa sobre as brasas do lume feito no chão, fazia parte então das nossas noites, reunindo na cozinha de casa – a taberna da Carolina – os melhores amigos da família.
Hmmm...quem as quer quentes e boas, quentinhas?
“Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor pra casa”
Os versos que “cantam” O Homem das Castanhas, a apregoar o seu produto nas esquinas da cidade, eternizados na voz de Carlos do Carmo, é uma das marcas do outono em Portugal, onde a 11 de novembro se comemora o dia de São Martinho. A fumaça branca que se desprende dos assadores em centenas de esquinas em Lisboa, anuncia: habemus castanha assada!
Diz a lenda que um nobre cavaleiro romano andava a fazer a ronda quando viu um velho mendigo cheio de fome e de frio, porque estava quase nu. O dia estava chuvoso e o velhinho encharcado. O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar os pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada. Depois deu a metade da capa ao mendigo e partiu. Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo sol que durou três dias.
Lenda ou não o fato é que nestes próximos três dias (hoje por acaso um sol lindo entrou no nosso quarto logo pela manhã) não só Lisboa, mas muitas outras cidades, são tomadas pelos magustos e pelas festas da castanha, só comparáveis às festas da sardinha no mês de junho.
O cheiro das castanhas assadas, especialmente pra mim, traz de volta deliciosas recordações de infância, quando me juntava aos mais velhos da aldeia e junto com eles íamos para debaixo dos castanheiros de Chacim, devidamente acompanhados de dois ou três garrafões de vinho (feito em casa, óbvio, de primeira prova) e fazíamos uma grande fogueira, cuja base forrávamos com as castanhas recolhidas ali mesmo no chão, algumas retiradas ainda de dentro dos ouriços. Quando da fogueira restavam apenas cinzas e de nós pouco mais do que isso, com os garrafões já pela metade, afastávamos as cinzas e devorávamos as castanhas macias e quentinhas, acompanhadas pelo vinho que ainda restasse. A cerimônia durava o dia inteiro. A outra imagem que não se apaga é a de meia dúzia de borrachos, cantando enrolado e dançando abraçados uns aos outros (para não cairmos, óbvio), no caminho de volta pra casa no no final do dia.
Durante todo o outono a sartã (frigideira em português) toda furadinha embaixo e cheia de castanhas a assar, suspensa sobre as brasas do lume feito no chão, fazia parte então das nossas noites, reunindo na cozinha de casa – a taberna da Carolina – os melhores amigos da família.
Hmmm...quem as quer quentes e boas, quentinhas?
terça-feira, 12 de novembro de 2019
A Mãe Cósmica - Um aspecto de Deus
Devemos considerar Deus somente como um espírito impessoal, desprovido de toda forma e sexo. Não podemos invocar o Criador concebendo-O sob um aspecto mais familiar para a mente humana? Nesse caso, como deveríamos chamá-lo, “Pai” ou “Mãe”?
Na verdade, Deus é um e outro: Pai e Mãe. Uma porção do Seu Ser permanece sempre oculta, mas, além do espaço e do universo, ali onde existe apenas sabedoria pura, está o aspecto de Deus enquanto Pai. A natureza inteira, em compensação, é uma manifestação de Deus no aspecto Mãe, pródiga em beleza, doçura, bondade e ternura. As flores, as aves, as árvores, os rios, todos falam, em sua formosura, do espírito criador e artístico do Senhor em Seu aspecto maternal. Não podemos evitar um sorriso ao pensar na mãe, com sua Via-Láctea cheia de diamantes estelares, suas flores perfumadas, o riso de suas águas correntes e sua beleza manifestada na criação inteira. Quando contemplamos a fecundidade da terra, o crescimento das plantas e dos seres, o amor de todas as criaturas por seus pequeninos, uma profunda ternura surge em nosso interior: vemos e sentimos nisso tudo o instinto maternal de Deus. E se, em algumas ocasiões, a conduta da natureza se torna cruel e inexplicável para nós (na Índia dá-se o nome de Kali à Mãe quando se apresenta sob esse aspecto), assim também podem parecer à criança algumas das medidas disciplinares e protetoras de sua mãe.
Quando nos sentamos em um bosque sombreado e silencioso; quando, no cume de uma montanha, nos aproximamos do azul do céu; quando olhamos a areia branca, perto de um mar resplandecente, não podemos deixar de experimentar certa ternura em nosso interior: é essa a nossa reação diante do aspecto maternal de Deus. Se, ao fechar os olhos, evocamos internamente a imagem do vasto espaço, somos fascinados pelo sentimento da infinitude; e percebemos nela apenas a vibração da sabedoria pura, nada mais do que sabedoria. Esse é o aspecto de Deus enquanto Pai: a esfera ilimitada na qual não existe nenhuma criação, nem planetas, nem estrelas, apenas o poder sem forma da sabedoria. Esse é o Pai. Assim, Deus é tanto um pai como uma mãe.
Quando se concebe Deus como uma trindade composta pelo Pai, Filho e Espírito Santo, podemos ver a Mãe no Espírito Santo, a criação inteira no Filho e, no Senhor mesmo, o Pai. Assim como a mãe se reflete em seu filho, a Natureza reflete-se na criação. Deus, em Seu aspecto de Pai e Mãe, deu nascimento ao Filho, que é uma expressão de Seu amor. E nós, como parte da criação, integramos esse símbolo do amor divino.
Na família humana, podemos ver uma reprodução em miniatura da grande família divina. Deus manifesta-se tanto no pai como na mãe e, na expressão de seu amor mútuo, no filho. Por que razão essa trindade se expressa na família humana? Isso ocorre porque nós, homens, somos parte de Deus, e Ele é essa trindade. O Criador, em Sua sabedoria infinita e em Seu sentimento infinito, deu origem a veículos pelos quais Ele desejava expressar essas qualidades. E foi assim que, ao manifestar-se na criação, a sabedoria do Senhor assumiu a forma do pai e Seu sentimento adotou a forma da mãe.
Cada um de nós é uma expressão parcial do Infinito, já que o pai atua sempre de acordo com a razão, enquanto a mãe é guiada pelo sentimento. E ambos são imperfeitos. O pai procura educar o filho pela razão e a força, ao passo que a mãe é guiada pelo sentimento e pela ternura. Ao bater em uma criatura que se encontra semi-afogada na maldade, com o objetivo de salvá-la desse estado, a severidade do pai só conseguirá afundá-la ainda mais no mal. A mãe, pelo contrário, dirá: “Ensine-a por meio do amor”.
Em algumas ocasiões, convém fazer uso de certa autoridade, enquanto em outras é preferível oferecer uma grande dose de amor. Mas, se a criança recebesse somente doçura, esse excesso a prejudicaria. Os dois aspectos de Deus – o maternal e o paternal – são necessários para manter o equilíbrio. Embora o amor paternal seja algumas vezes demasiadamente severo, o amor maternal também nem sempre é perfeito. Fritz Kreisler, certa ocasião, fez o seguinte comentário: “Minha mãe me amava tão profundamente que sempre se opôs a que eu abandonasse a Europa; no entanto, eu não seria Kreisler hoje se não tivesse enfrentado o seu amor”. Um amor como esse é egoísta e escravizador.
Mirra Alfassa (Extraído do livro Preces e Meditações II, de A Mãe – Ed. Casa Sri Aurobindo, 1977)
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
TROCANDO O WAZE PELO MOOVIT
Tempos atrás pensei em fazer uma experiência: em vez de
mudar de carro, mudar de atitude e tentar viver sem ele. Somei todos prós e
contras, as multas, as despesas com documentação e uma revisão completa,
incluindo alguns itens estéticos para o comprador não ficar pondo defeito na
hora de negociar o preço. Quando vi o tamanho da conta, se eu ainda tinha
alguma dúvida em me livrar do carro, ela terminou aí. Felizmente o que recebi
deu para pagar tudo e ainda sobrou um troco, não mais do que o suficiente para
um jantar a dois. De comemoração.
Quando eu fiz dezoito anos – e com todos os amigos da aminha
idade não foi diferente – o grande sonho de consumo era comprar um carro. Ou
ganhar um, para os filhos de pais mais abastados, o que não era meu caso. Hoje
o carro ocupa o 7º ou 8º lugar na lista de desejos de uma boa parte dos jovens.
Muitos sequer tiram a carta de motorista, para desespero das montadoras.
Ao trocar de atitude troquei a preocupação com as multas, o
ipva, o seguro, as revisões, o preço da gasolina, o estresse de achar uma vaga
para estacionar e a revolta com o preço extorsivo dos estacionamentos, por um
bilhete único. E pela tranquilidade de conferir e-mails, responder o wattsapp e
usar o google sem o risco de causar um acidente. Confesso que atualmente ao ver
um congestionamento, chego a sentir um certo calafrio e uma angústia misturada
com compaixão pelo sofrimento alheio.
Claro que andar de ônibus e metrô numa cidade que está longe
de ter um sistema de transporte púbico 100% eficiente, e muito menos
suficiente, também tem seus perrengues: alguns motoristas dirigindo de maneira
irresponsável, cobradores mal humorados e cuja função cada dia se justifica
menos, passageiros que ainda não atingiram um nível mínimo de civilidade e por
aí vai. Por outro lado, uma sensação incrível e coisa impensável no passado, é
saber a hora exata em que o próximo ônibus vai passar, enquanto você come a
última torrada com geleia no café. Isso graças a uma das sete maravilhas da
tecnologia, chamada Moovit (o Waze de quem anda a pé, de ônibus ou bicicleta). Que
ainda te avisa, online, quantos pontos você tem pela frente, quanto tempo vai
gastar no trajeto, a hora exata de descer e por quantos minutos terá de caminhar
até seu destino final. Sem falar que durante três horas você pega quantos
coletivos precisar pagando apenas o valor (alto, diga-se) de uma passagem. Meu
recorde até agora foram um metrô e três ônibus em menos de duas horas, numa
viagem até o bairro dos Pimentas em Guarulhos. O terceiro ônibus eu peguei em
plena via Dutra...aventura e tanto.
Claro que vendo a minha condição de um “sem carro” toda hora
os amigos perguntam: mas você nunca mais precisou de um carro depois que se
desfez do seu? Claro que precisei. E felizmente tem um monte deles à minha
disposição sempre que necessário: os das locadoras (frequentemente mais baratos
do que as passagens de ônibus interestaduais, principalmente quando se viaja em
família), os da Uber, 99 ou Cabify e até os dos amigos quando gentilmente me oferecem
uma carona. Preciso confessar também que em trajetos mais curtos e tranquilos,
em dias sem chuva, também conto com minha fiel companheira, uma Suzuki Burgman.
Sei que ficar sem carro não é viável para algumas pessoas, por
diferentes razões. Mas, para uma grande parte de nós, garanto que existe vida
depois do automóvel. E que pode ser, além de tudo, uma experiência libertadora.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Eu adoro essa garota!
Em 2017 por esta época, minha mulher achou que ainda era uma menina (e eu acho que sempre vai ser mesmo, é uma de suas virtudes) e resolveu fazer um intercâmbio na Inglaterra, mais exatamente em Oxford, durante uma temporada em que aproveitaria para dar uma garibada no inglês. Bem...sempre nos apoiamos mutuamente, por mais louca que seja a vibe. E desta vez não foi diferente, quem era eu para segurar um dos seus sonhos acalentado durante décadas. Foi enriquecedor pra pra ela e pra nós que ficamos, eu e minha filha caçula. Um dos seus relatos enquanto estava lá, segue abaixo. Emocionei quando li na época, e me emociono sempre que releio. É por essas e outras que eu amo essa garota!


30 dias. Estou com saudades de casa.
A vida em outro país nao é nada fácil. Nao só pelo idioma mas porque o silencio faz eco na gente. Por mais desejada que tenha sido esta viagem, ela estava congelada na minha memoria desde quando eu tinha 15 anos. Agora, aos 49, tudo é diferente.
Tem sido um aprendizado, tem sido um desafio, tem sido apavorante, tem sido enriquecedor e surpreendente. 'E duro contar o dinheiro todos os dias e nao poder fazer as coisas com mais tranquilidade. E duro saber-se a mais velha de todas as classes aonde se entra. Tem sido duro ter poucas palavras para expressar tudo o que eu realmente quero dizer numa conversa.
Tem sido dificil esquecer o que eu acumulei de conhecimento pra me descobrir vazia e abrir espaço pra aprender tudo de novo.
Eu estou adorando a experiencia, mas tem horas que dá um desanimo, parece que nao há progresso nas aulas, parece que nao estou me dedicando, parece que a estrada é mais longa do que imaginava, parece que nao ha acostamento pro descanso, mas acho que isso também faz parte do processo de aprendizado.
Já chorei, já segurei o choro, já quis voltar e desistir, ja quis estender a estadia e mudar de pais, ja quis e nao quis muitas coisas ao mesmo tempo. Daí durmo, acordo, medito, faço minhas oraçoes e saio pra enfrentar a vida, o dia, a aula e a mim mesma novamente.
Acho que estou feliz, mas de um jeito meio nostálgico. Como se estivesse resgatando aos poucos aquela moça que eu fui e que achava que conquistaria o mundo. As circunstancias nao me deixam esquecer dos meus sonhos de menina, me levando sempre ao passado quando ligo a TV, por exemplo, e está passando Terra de Gigantes, os Waltons e hoje, Cimarron!!!
Bem, estou aqui num país de reis e rainhas, seguindo a cada dia como um Arthur, tentando liberar minha espada da pedra e contando que meus Cavaleiros da Távola Redonda no Brasil estejam me esperando com o mesmo amor de sempre. Porque o amor é o principio e o fim de todo caminho.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
A fruta não cai longe do pé.
Agora é a vez dela...Depois de embarcar 3 filhas para o mundo, chegou a hora dela ir atrás de um sonho antigo e necessário. Depois de metade da vida e de uma carreira consolidada, diversos prêmios e conquistas profissionais e uma vida pessoal igualmente exemplar, ela escolheu fazer intercâmbio. Escolheu para aprimorar o inglês. Não que este fosse ruim, mas ela sabe que estava longe do limite e que hoje em dia qualquer situação exige. Escolheu porque tem vontade de aprender e porque sabe que pode crescer ainda mais. E sua escolha se consolidou porque ela tem na família pessoas que a amam e que a apoiaram em todas as etapas desse processo. Por um marido fiel e compreensivo e por filhas que, justamente por já terem vivido esse momento, sabem o quão importante ele é.
Ela, que começou a trabalhar aos 15 anos, que vem consolidando sua carreira desde cedo e de um jeito extremamente eficaz. Ela, que dorme 4 horas por dia, às vezes não come direito, que passa alguns perrengues mas sempre entrega resultado.
Ela, que já viajou o mundo, não importa se por lazer ou para trabalhar. Ela, que mistura espanhol, inglês, português, alemão, francês e italiano, criando uma língua nova que só ela e os companheiros de viagem entendem, mas que tem um sotaque incrivelmente gostoso.
Ela, que tem o melhor carinho, as melhores mãos, que escreve maravilhosamente bem e que nunca deixou faltar nada pra ninguém.
Ela, que faz combinações peculiares, que gosta de salto grosso e adora animações infantis. Ela que gosta de assistir futebol no bar às quartas-feiras, mas não dispensa um bom vinho num bistrô.
Ela, que organiza eventos, ama festas e multidões, mas sente um prazer enorme em estar consigo mesmo, lendo seu livro na beira da piscina.
Ela, que já foi filha e é dona de casa, esposa, mãe, jornalista, escritora, viajante e mais tantas outras coisas, hoje é intercambista. E das boas. Daquela que estuda, se dedica, vai até onde achamos que não dá. Daquelas que escolheu família com crianças para treinar ainda mais a conversação e que sabe que alguns meses serão pouca coisa perto do objetivo maior dessa aventura.
Pra ela, eu digo hoje tudo o que ouvimos quando foi a nossa vez: Nem sempre as coisas são como queremos. Às vezes o chuveiro não esquenta, a comida não é a nossa preferida e as pessoas não são tão calorosas como estamos acostumados. Às vezes o salto quebra a caminho de uma reunião importante e o cachorro rasga nossa meia calça minutos antes de sairmos de casa. Às vezes chove e estamos sem guarda chuva, o trânsito nos faz cancelar compromissos e nós não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Por isso, viva o hoje. Viva em inglês, viva nas aulas, em casa, viva em cada monumento que passar, cada paisagem famosa ou viva dentro de um simples e encantador ônibusinho vermelho. Viva suas conquistas, por menores que elas sejam. Viva!
Ela, que sempre fez de tudo por nós, hoje faz por ela.E que esse seja só o primeiro passo.
EU TE AMO!
(Texto escrito por minha filha Sofia Almeida Cascão Costa, em junho de 2017, quando a mãe embarcou para mais uma de suas sadias loucuras. Porque aqui em casa todo mundo gosta de dizer o que sente, escrevendo!)
Ela, que começou a trabalhar aos 15 anos, que vem consolidando sua carreira desde cedo e de um jeito extremamente eficaz. Ela, que dorme 4 horas por dia, às vezes não come direito, que passa alguns perrengues mas sempre entrega resultado.
Ela, que já viajou o mundo, não importa se por lazer ou para trabalhar. Ela, que mistura espanhol, inglês, português, alemão, francês e italiano, criando uma língua nova que só ela e os companheiros de viagem entendem, mas que tem um sotaque incrivelmente gostoso.
Ela, que tem o melhor carinho, as melhores mãos, que escreve maravilhosamente bem e que nunca deixou faltar nada pra ninguém.
Ela, que faz combinações peculiares, que gosta de salto grosso e adora animações infantis. Ela que gosta de assistir futebol no bar às quartas-feiras, mas não dispensa um bom vinho num bistrô.
Ela, que organiza eventos, ama festas e multidões, mas sente um prazer enorme em estar consigo mesmo, lendo seu livro na beira da piscina.
Ela, que já foi filha e é dona de casa, esposa, mãe, jornalista, escritora, viajante e mais tantas outras coisas, hoje é intercambista. E das boas. Daquela que estuda, se dedica, vai até onde achamos que não dá. Daquelas que escolheu família com crianças para treinar ainda mais a conversação e que sabe que alguns meses serão pouca coisa perto do objetivo maior dessa aventura.
Pra ela, eu digo hoje tudo o que ouvimos quando foi a nossa vez: Nem sempre as coisas são como queremos. Às vezes o chuveiro não esquenta, a comida não é a nossa preferida e as pessoas não são tão calorosas como estamos acostumados. Às vezes o salto quebra a caminho de uma reunião importante e o cachorro rasga nossa meia calça minutos antes de sairmos de casa. Às vezes chove e estamos sem guarda chuva, o trânsito nos faz cancelar compromissos e nós não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Por isso, viva o hoje. Viva em inglês, viva nas aulas, em casa, viva em cada monumento que passar, cada paisagem famosa ou viva dentro de um simples e encantador ônibusinho vermelho. Viva suas conquistas, por menores que elas sejam. Viva!
Ela, que sempre fez de tudo por nós, hoje faz por ela.E que esse seja só o primeiro passo.
EU TE AMO!
(Texto escrito por minha filha Sofia Almeida Cascão Costa, em junho de 2017, quando a mãe embarcou para mais uma de suas sadias loucuras. Porque aqui em casa todo mundo gosta de dizer o que sente, escrevendo!)
segunda-feira, 13 de março de 2017
É o fim!
Sou fá de rádio. Como cidadão e como profissional de publicidade. Comecei a trabalhar com 14 anos e desde então meu café da manhã sempre teve como trilha sonora as vinhetas musicais das emissoras. Uma das mais famosas é a Sinfonia Paulistana, de Billy Blanco, tema de São Paulo e do Jornal da Manhã da Jovem Pan que, aliás, ouço até hoje, intercalado com os noticiosos das rádios Estadão, CBN, BandNews e Cultura.
Quando viajo de carro uma das minhas curtições é ficar passeando pelo dial e sintonizando emissoras locais, que sempre são uma deliciosa surpresa, seja pela programação, pelos curiosos apresentadores, locutores e anunciantes, e até pela participação ao vivo dos ouvintes, com seus gostos e problemáticas regionais.
Mas, na área musical minha preferida sempre foi a Eldorado FM de São Paulo. Um exemplo de luta na defesa da boa música nacional e internacional, dos compositores, músicos e instrumentistas, dos esportes (não só o futebol, que tem defensores de sobra) e sempre à frente das grandes causas, como por exemplo as campanhas pela preservação da Mata Atlântica e da limpeza do Rio Tietê, de quem foi parceira histórica.
Minha paixão pela Eldorado era tão grande que quando fui sócio e diretor de criação da agência Merit Comunicações, e atendendo voluntariamente a Fundação S.O.S. Mata Atlântica, dei um jeito de me aproximar dos Mesquita e passei a atender também voluntariamente a Eldorado FM, para quem criei o conceito “ ELDORADO FM – A RÁDIO QUE TOCA”.
Hoje, além dos noticiosos que continuo ouvindo tanto no rádio do banheiro como nos aplicativos do celular, um dos meus redutos para curtir boa música brasileira é a Nova Brasil FM (que Deus a livre e guarde).
Assim, é com extremo pesar que leio a notícia da “morte” da rádio Estadão, cuja frequência foi vendida ou arrendada (dá no mesmo) para um grupo empresarial religioso. Recentemente a Rádio MPB FM, fundada pelo grupo O DIA e administrada pelo grupo Bandeirantes desde 2012, também saiu do ar graças a uma irreversível crise financeira.
As dificuldades de caixa têm sido a explicação para todas essas derrocadas. Mas, é bom lembrar que os problemas financeiros são só a consequência do problema. A causa real é a crise de valores nas áreas da educação e da cultura, que vão transformando o showbiz numa grande feira evangélico-sertaneja.
É um fim trágico para quem tanto fez pela cultura do país. Torço para que as poucas opções que restam para quem gosta de ouvir música, notícias e variedades no rádio, não sucumbam à riqueza dos missionários e à pobreza de espírito do mercado.
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