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sexta-feira, 9 de julho de 2021
COM A MELHOR DAS INTENÇÕES
Vejo nos stories do Facebook de uma amiga uma mensagem que pipoca na internet com o título “Não se acostume”, atribuída a Fernando Pessoa. Não somos amigos íntimos, mas a considero uma pessoa inteligente, criativa, inconformada, disruptiva até, uma cabeça boa. Por isso a sigo, curto o que ela posta e os algoritmos sabem disso.
A mensagem que ela postou tem um texto bonitinho e é óbvio que o publicou com a intenção de expressar um estado de alma, de compartilhar os seus sentimentos num dia qualquer, enfim.
Reproduzo o texto e imagem abaixo para vc não ter o trabalho de procurar no Google.
Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas realmente... (obrigado Blitz) esse texto não é de Fernando Pessoa. E qualquer pessoa que leia um pouco de Pessoa, percebe.
Numa rápida busca na internet, vi que esse texto é reproduzido e atribuído a Pessoa em dezenas de sítios (vou preservar os nomes para não queimar o filme de ninguém):
- Foi reproduzido num blog que se intitula “uma rede viva de mentes curiosas” com 170 milhões de leitores em todo mundo. Se fossem tão curiosas iriam atrás da veracidade do que publicam. Diz também que “qualquer pessoa pode escrever no blog (talvez esse seja o problema, porque podem escrever ou reproduzir qualquer coisa, inclusive bobagens).
- Foi compartilhado por um professor de Cascais (Portugal!) no Slideshare, onde tem mais de 400 visualizações, e em blogs e redes sociais de mais meia dúzia de professores (!!!).
- Está no perfil de um fã-clube do “Legião Urbana” (esses fãs, viu!) curtido por 1 284 154 de pessoas, onde teve 1200 visualizações e 513 compartilhamentos (olha o estrago).
- Está em dezenas de pins no Pinterest
- No site de uma rádio do Rio de Janeiro
- Num site que tem “brain” na url e que afirma ser a “maior plataforma de estudos (coitados dos estudantes) ponto-a-ponto do mundo”
- Num blog para maiores de 40 (com essa idade o autor já deveria ter aprendido a separar o certo do duvidoso)
- Num blog sobre pontos de vista (vista embaçada, no caso)
- No Tumblr
- Num site de estudos para estudantes que querem “passar direto” (em vez de estimularem os leitores a passar direto, recomendo que os autores dêem uma paradinha de vez em quando para conferir a veracidade do que publicam e ensinam aos estudantes)
- O texto está até no Linkedin de uma corretora de seguros (fiquei inseguro com essa corretora...).
Além, claro, de ser encontrado em uma dúzia de sites de pensamentos e frases feitas, prontas para compartilhar com o mínimo esforço.
Sim, a internet é um perigo. Com as melhores intenções. E às vezes também com as piores.
terça-feira, 19 de novembro de 2019
QUE GIRO!
Uma das primeiras coisas que escuto de qualquer brasileiro que acaba de chegar a Portugal, é como os portugueses são engraçados ao falar. E para designar as coisas usam umas palavras que não têm nada a ver, dizem. Podem não ter nada a ver com a opinião de quem faz essa observação, o que não significa que não tenham nada a ver com o que designam. Na condição de artífice (ainda que medíocre, no sentido de médio, no expert) das palavras, pus-me a pensar e a fazer uma comparação entre os nomes das coisas em Portugal e no Brasil. E descobri que algumas fazem muito mais sentido em português de Portugal.
Senão, vejamos:
AÇOUGUE e TALHO. Você sabe mesmo o que quer dizer “açougue”? Conhece a etimologia da palavra, a sua origem? (esqueça a imagem que lhe vem à memória quando a ouve, pense só na palavra em si). Já “talho” vem de talhar, cortar. Faz muito mais sentido, porque é isso que se faz com a carne no açougue.
Outra: BALA e REBUÇADO. O que é “bala”? Quantas coisas designa essa palavra? Manda bala (vai em frente, corre...), bala de revólver, bala de canhão... Ou seja, para ser apenas uma ingênua palavra que designe uma guloseima, no Brasil a palavra precisa de um contexto. Em Portugal não: rebuçado não designa nenhuma outra coisa que não seja isso.
BANHEIRO e CASA DE BANHO. Não sei porquê acham essa expressão tão engraçada. Devíamos rir também, então, quando ouvimos alguém dizer que vai ao “banheiro”, uma vez que a raiz das duas palavras é a mesma: banho. Sendo que em português de Portugal faz muito mais sentido: é a casa (no Brasil às vezes dizemos até “vou na casinha”) onde se toma banho. E se pensarmos no americanizado WC, então nem se compara ”Water Closet”, que numa tradução literal é um “gabinete de água”. Esses americanos, viu, são uns parvos!
CARTEIRA DE IDENTIDADE e BILHETE DE IDENTIDADE. Quando a polícia te pede a identidade o que você faz? Tira a sua carteira do bolso e entrega para o guarda? Claro que não., você abre a carteira e pega de lá o seu...bilhete de identidade. Nem preciso argumentar muito. Próxima:
CONVERSÍVEL e DESCAPOTÁVEL. Parece difícil defender essa, não? Mas é fácil. Literalmente, conversível é algo que se pode “converter” em outra coisa. Mas, quando você tira a “capota” de um carro ele continua sendo um carro. Não vira um caminhão, ou uma carroça. Portanto, você “descapota” o carro.
FAIXA DE PEDESTRES e PASSADEIRA. “Faixa”??? Como assim, faixa? De miss? De karatê? De comício? Novamente a necessidade de um contexto. Já “passadeira” designa apenas o lugar onde se passa, no caso, onde o pedestre passa.
PONTO DE ÔNIBUS e PARAGEM (nem vou falar de ônibus e autocarro). Paragem, óbvio, dá de dez a zero em ponto de ônibus. Primeiro é uma palavra só – que diz exatamente o que precisa ser dito. Segundo, serve para todos os tipos de transporte, embora tenhamos outras, como estação, por exemplo, mais usada nos casos de paragens de metro e trem, ou melhor, comboio.
Na próxima vez que um brazuca provocar meu lado tuga, vou dizer apenas: “ó pá, vai chatear o Camões”. Ops! expressões fixe é assunto para outro post.
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Reflexões sem dor
terça-feira, 16 de março de 2010
Nem sinal da minha suzuki...

Na segunda feira, 8 de março, o cabo do acelerador de minha Suzuki Burgmann quebrou no estacionamento do Shopping Villa Lobos em São Paulo. Liguei para várias concessionárias autorizadas Suzuki (entre elas a Nova Suzuki – Ibirapuera e Sinal Motos – Santo Amaro, onde a moto foi comprada) pedindo orientação ou auxilio para a retirada da moto, conserto do cabo e, aproveitando, revisão dos 3.000 km.Não obtive sucesso: a primeira me deu informações desencontradas, números que não atendiam, etc., e a outra não tinha qualquer serviço de socorro ou transporte, me forneceu um telefone de um particular que talvez pudesse fazer o serviço.
A moto passou a noite no estacionamento do shopping (depois que a tirei de lá me deu uma baita vontade de criar uma comunidade tipo essas do Orkut "Eu odeio estacionamentos" – como é amadora e sofrível a prestação de serviços no Brasil, não?) e na terça 9, acabei contratando o tal do serviço particular que levou a moto para a oficina da Sinal.
Informei ao atendente, Sr. Wagner, que o cabo do acelerador estava quebrado e ele me prometeu a moto pra quinta-feira, 11 de março. No dia da entrega da moto, ele ligou e disse que somente poderiam entregar a moto na segunda ou terça da semana seguinte. Motivo alegado: o cabo do acelerador estava quebrado (informação que eu dei quando deixei a moto para conserto e revisão) e eles só tinham o cabo na oficina Sinal da Av Jabaquara, e "como hoje o dia já está praticamente no fim (eram 14 h quando recebi esse telefonema) o cabo só vai chegar amanhã ou segunda, por isso a entrega com certeza na terça", disse-me o Wagner.
Bem, desnecessário dizer o quanto é ridícula essa situação. Quase uma semana pra trocar um cabo e fazer a revisão dos 3.000 km. Perguntei ao Sr. Wagner se eu poderia ir até à loja do Jabaquara e levar o cabo pra eles, o que considerou uma boa idéia e disse que, fazendo isso, eu iria dar uma grande ajuda, e que nesse caso me entregaria a moto na sexta.
Trata-se de um simples cabo, que qualquer oficina da esquina deveria ter. O cabo não é importado, não vem do Japão, está na oficina deles em outro bairro. Não é possivel que eu tenha de sair do meu escritório pra fazer o trabalho que estou pagando, pra ter a moto de volta num prazo razoável. E a observação de que "o dia de hoje já acabou" (perguntei se trabalhavam só meio período) é realmente o fim da picada, postura de quem não está muito a fim de trabalhar e servir o cliente, razão da existência tanto do fabricante como da revenda e oficina.
Mandei um e-mail para o Atendimento ao Cliente dsa Suzuki, relatando o ocorrido, que se limitou a mandar um e-mail pedindo que o concessionário resolvesse o problema e informasse a solução dada. A Sinal não deve nem ter tomado conhecimento do e-mail da Suzuki. Passou-se a segunda, já estamos na terça e nem um telefonema sobre o assunto.
Enfim, decepção com a Suzuki - como quebra um cabo de acelerador de uma moto que ainda nem completou 3.000 km? – e com a prestação de serviços da Sinal: logo na primeira vez que preciso do apoio pós-venda, fico falando sozinho.
Adoro moto tipo scotter, são confortáveis, ágeis, perfeitas pra andar numa cidade como SP. Quem sabe na próxima, penso um pouco mais e compro alguma italiana, ou mesmo outra japonesa. Mas nunca mais na Sinal. Aliás, na Sinal nem moto nem nada que ande sobre rodas.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Não é bolinho!
Já disse, mas vou dizer de novo: gosto de comer e de cozinhar. Como mais do que deveria e cozinho menos do que gostaria. Por isso me sinto mais à vontade para escrever sobre comer do que sobre cozinhar.
E, por causa da gula, fui vítima mais uma vez da Vejinha, essa juiza que costuma endeusar mediocridades, principalmente no mundo da baixa gastronomia.
Passei uns dias no Guarujá e, como faço sempre, procurei conhecer um boteco novo em Santos. (gosto de Santos, um caso exemplar de recuperação urbanística). Fui à Vejinha Verão e lá estava: Bar do Toninho, no Embaré, "o melhor bolinho de bacalhau da Baixada Santista". Pus a mulher e as crianças no carro – que adoram bolinho, atravessei a balsa – e lá fui.
Bem, uma das meninas não conseguiu comer um inteiro, largou no meio e pediu "pai, posso comer um pastel?". E assim, aproveitei e conheci o pastel, que também não chega nem ao calcanhar de um exemplar de qualquer feira livre de São Paulo.
Das duas, duas: ou os críticos da Vejinha não entendem nada de bolinho de bacalhau, ou não experimentam o que recomendam - e neste caso não deveriam recomendar.
Quem conhece bolinho de bacalhau sabe: é bacalhau demolhado, do bom (não restos, nem do mais barato), batata cozida amassada e reduzida a purê (não confundir com purê de batata), cebola picadinha, salsinha, um pouqinho de pimenta do reino e sal se necessário, gema de ovo, clara em neve e, se vc tiver em casa e gostar, um tiquinho de vinho do porto. Só. De preferência enrolados na colher, fritos e servidos na hora.
Bem, o tal bolinho do Toninho só perde para o pastel de bacalhau do Mercadão, outra pérola falsa da Vejinha e de alguns midiáticos chefs.
Acha que estou exagerando? Vá até o Embaré quando estiver lá embaixo. Local barulhento (pecado menor para um boteco), banheiro sujo e sem papel de nenhum tipo e centenas de bolinhos, pastéis, empadas e risolis engordurados e amontoados em estufas mornas.
Única coisa que se salvou: a cerveja gelada, que não é mérito nenhum.
Ééé...a vida de quem gosta de comer não é bolinho. Muito menos do Toninho.
E, por causa da gula, fui vítima mais uma vez da Vejinha, essa juiza que costuma endeusar mediocridades, principalmente no mundo da baixa gastronomia.
Passei uns dias no Guarujá e, como faço sempre, procurei conhecer um boteco novo em Santos. (gosto de Santos, um caso exemplar de recuperação urbanística). Fui à Vejinha Verão e lá estava: Bar do Toninho, no Embaré, "o melhor bolinho de bacalhau da Baixada Santista". Pus a mulher e as crianças no carro – que adoram bolinho, atravessei a balsa – e lá fui.
Bem, uma das meninas não conseguiu comer um inteiro, largou no meio e pediu "pai, posso comer um pastel?". E assim, aproveitei e conheci o pastel, que também não chega nem ao calcanhar de um exemplar de qualquer feira livre de São Paulo.
Das duas, duas: ou os críticos da Vejinha não entendem nada de bolinho de bacalhau, ou não experimentam o que recomendam - e neste caso não deveriam recomendar.
Quem conhece bolinho de bacalhau sabe: é bacalhau demolhado, do bom (não restos, nem do mais barato), batata cozida amassada e reduzida a purê (não confundir com purê de batata), cebola picadinha, salsinha, um pouqinho de pimenta do reino e sal se necessário, gema de ovo, clara em neve e, se vc tiver em casa e gostar, um tiquinho de vinho do porto. Só. De preferência enrolados na colher, fritos e servidos na hora.Bem, o tal bolinho do Toninho só perde para o pastel de bacalhau do Mercadão, outra pérola falsa da Vejinha e de alguns midiáticos chefs.
Acha que estou exagerando? Vá até o Embaré quando estiver lá embaixo. Local barulhento (pecado menor para um boteco), banheiro sujo e sem papel de nenhum tipo e centenas de bolinhos, pastéis, empadas e risolis engordurados e amontoados em estufas mornas.
Única coisa que se salvou: a cerveja gelada, que não é mérito nenhum.
Ééé...a vida de quem gosta de comer não é bolinho. Muito menos do Toninho.
sábado, 20 de junho de 2009
Ligando o nome à pessoa.
Gosto de um comercial de rádio do Instituto Ético, que diz mais ou menos o seguinte: “tem gente que vive dizendo que não adianta fazer nada, que o Brasil não tem jeito, que as coisas nunca vão melhorar... se você reparar, são as mesmas pessoas que compram produtos piratas, sonegam impostos, não dão nota fiscal...”.
Gosto porque revela um traço muito interessante do ser humano em geral e do brasileiro em particular: a nossa dificuldade para fazer conexões, para juntar causa e efeito.
Por exemplo: demora pra cair a ficha do burguesinho, de que o seu “viciozinho” alimenta o tráfico não só de drogas como de armas, a violência sexual, a exploração de menores e outros tantos desvios sociais cuja culpa ele e a família dele atribuem a “esse governo que só sabe cobrar impostos e não faz nada” (não que o governo cobre impostos e faça muita coisa...).
Assim como demora pra cair a ficha do espertinho que compra um DVD, CD ou joguinho pirata, entre outras falsificações baratas, e tomar consciência de que a esperteza dele alimenta o contrabando, a sonegação de impostos, o trabalho escravo e consequentemente o desemprego – muitas vezes de um parente ou vizinho, e cuja culpa ele atribui à "polícia que é corrupta” ou a um ministro qualquer “que só sabe roubar” (não que uma parte da policia...blá, blá, blá).
Demora ainda mais para a perua, a mocinha ou o garotão sarado caírem na real – se é que algum dia cairão – e entenderem que os saquinhos de plástico com o cocô dos seus pets, que eles largam displicentemente na calçada ou ao pé de alguma árvore, além de emporcalhar a cidade, vão ajudar a entupir os bueiros e a aumentar o problema das enchentes, responsabilidade das “autoridades incompetentes que só sabem roubar e não fazem nada pra melhorar a vida dos cidadãos”.
Junto com os saquinhos de cocô vão também os sacos de salgadinhos, as latinhas de cerveja atiradas pela janela do carro, os móveis e colchões velhos que não servem mais, e por aí vai.
É duro, não? Mas a gente somos assim: temos uma dificuldade enorme para ligar o nome à pessoa.
Gosto porque revela um traço muito interessante do ser humano em geral e do brasileiro em particular: a nossa dificuldade para fazer conexões, para juntar causa e efeito.
Por exemplo: demora pra cair a ficha do burguesinho, de que o seu “viciozinho” alimenta o tráfico não só de drogas como de armas, a violência sexual, a exploração de menores e outros tantos desvios sociais cuja culpa ele e a família dele atribuem a “esse governo que só sabe cobrar impostos e não faz nada” (não que o governo cobre impostos e faça muita coisa...).
Assim como demora pra cair a ficha do espertinho que compra um DVD, CD ou joguinho pirata, entre outras falsificações baratas, e tomar consciência de que a esperteza dele alimenta o contrabando, a sonegação de impostos, o trabalho escravo e consequentemente o desemprego – muitas vezes de um parente ou vizinho, e cuja culpa ele atribui à "polícia que é corrupta” ou a um ministro qualquer “que só sabe roubar” (não que uma parte da policia...blá, blá, blá).
Demora ainda mais para a perua, a mocinha ou o garotão sarado caírem na real – se é que algum dia cairão – e entenderem que os saquinhos de plástico com o cocô dos seus pets, que eles largam displicentemente na calçada ou ao pé de alguma árvore, além de emporcalhar a cidade, vão ajudar a entupir os bueiros e a aumentar o problema das enchentes, responsabilidade das “autoridades incompetentes que só sabem roubar e não fazem nada pra melhorar a vida dos cidadãos”.
Junto com os saquinhos de cocô vão também os sacos de salgadinhos, as latinhas de cerveja atiradas pela janela do carro, os móveis e colchões velhos que não servem mais, e por aí vai.
É duro, não? Mas a gente somos assim: temos uma dificuldade enorme para ligar o nome à pessoa.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
SOBRE DESENVOLVIDOS
Dia desses ouvi na CBN o finalzinho de uma entrevista do Heródoto Barbeiro com um ilustre economista catedrático da USP (pra sorte dele, ou minha – não sei, não consegui ouvir seu nome) analisando a atual crise mundial.
Dizia assim o professor: “nos Estados Unidos há 1 automóvel para cada 1,5 habitantes. No Brasil, apenas 1 para cada 7,5 habitantes. Ainda temos um longo caminho a percorrer em relação aos países mais adiantados”.
Sem entrar no mérito das estatísticas, e olhando para a delicadeza da situação ambiental e do momento histórico que atravessamos (com perdão do lugar comum), pergunto ao ilustre professor: temos um longo caminho a percorrer para chegar aonde, exatamente? E países adiantados em quê?
Me parece que é preciso começarmos a olhar para a frente, e não para trás, reconhecendo que alguns modelos estão falidos, que temos que reinventar o futuro. Afinal, o sistema que construímos nos trouxe até o abismo. Achar que temos de continuar insistindo em ter mais do mesmo, é...dar um passinho à frente.
Um automóvel por habitante...sim senhor! Brilhante, hein?
Dizia assim o professor: “nos Estados Unidos há 1 automóvel para cada 1,5 habitantes. No Brasil, apenas 1 para cada 7,5 habitantes. Ainda temos um longo caminho a percorrer em relação aos países mais adiantados”.
Sem entrar no mérito das estatísticas, e olhando para a delicadeza da situação ambiental e do momento histórico que atravessamos (com perdão do lugar comum), pergunto ao ilustre professor: temos um longo caminho a percorrer para chegar aonde, exatamente? E países adiantados em quê?
Me parece que é preciso começarmos a olhar para a frente, e não para trás, reconhecendo que alguns modelos estão falidos, que temos que reinventar o futuro. Afinal, o sistema que construímos nos trouxe até o abismo. Achar que temos de continuar insistindo em ter mais do mesmo, é...dar um passinho à frente.
Um automóvel por habitante...sim senhor! Brilhante, hein?
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Desconfortos de fim de ano
Esta época de festas é muito interessante. Você começa recebendo um monte de cartões e mensagens de pessoas físicas e jurídicas que você nunca viu mais gordas, nunca vendeu nem comprou nada delas, sequer sabia que existiam. Mas todas te mandam um cartão virtual como se fossem seus velhos amigos.
Isso que dá ficar assinando listas de tudo quanto é coisa que você recebe, repassar e-mails com piadas, correntes, powerpoints de autoajuda, criancinhas desaparecidas, sem sequer dar-se ao trabalho de ocultar as centenas de nomes de seus amigos e conhecidos, que vão engordar as listas de "milhões de e-mails por apenas R$ 45,00!!!"
Mas uma forma moderna de seu endereço virar mais um, é deixar sua ficha cadastral nesses sites que agora viraram moda: os de amigo secreto virtual.
Isso mesmo, em vez da velha urna feita com caixa de sapatos, estrategicamente colocada perto do café, e dos bilhetinhos escritos à mão (geralmente a esquerda pro amigo não desconfiar), numa letra de forma que você nunca usa, com canetas de tintas esquisitas ou com frases compostas com letras e palavras recortadas de jornal, agora um colega cria um espaço virtual num site tipo www.amigosecreto.qualquercoisa, e em troca de um dossiê completo de todos os funcionários da empresa (única forma de usufrurir dos serviços), o site permite que todos mandem e recebam bilhetinhos virtuais. Não sem antes clicar no "concordo" do termo de compromisso (sem ler uma linha sequer, claro) o que dá ao site o direito de vender o seu e-mail para parceiros que vão depois inundar sua caixa postal com bobagens.
Depois da festa de amigo secreto da firma, onde todo mundo – da recepcionista ao presidente – fica irreconhecível, vem a tradicional ceia de natal em família. E junto com ela todas as discussões que se repetem ano após ano como se fosse a primeira vez: vai ser na casa de quem – ahhh não! de novo? quem leva o perú? fulano nunca traz nada mas come feito um esfomeado. E a louça que sempre sobra para a vovó lavar – coitada. Xiii, acho que este ano as crianças não vão mais acreditar que o papai noel não é o tio Zé? Se não servir, pode trocar viu, eu guardei a notinha...
E alguns dias depois, reveillon. Onze e meia vamos todos para a praia, roupa branca, chinelo de dedo. Pulamos as sete ondas e a cada pulinho um pedido: pedimos por nós e para nós, pelos amigos que pouco vemos, pela família que pouco nos vê, pedimos que tudo seja diferente no ano que começa. Pedimos o melhor, fazemos propósitos de mudar e quando a festa acaba o melhor de nós fica lá esparramado na areia, sendo engolido e vomitado pelo mar no seu interminável vai e vem: nossas pegadas, nossos saquinhos plásticos, embalagens de salgadinhos, isopores, pratos e copos descartáveis, velas, flores, garrafas com restos de champanhe barato.
Imagem: oglobo.globo.com
E assim começa mais um ano, no qual acreditamos que tudo vai ser diferente, mesmo a gente continuando a fazer tudo igual. Às vezes penso que o que a gente gosta mesmo é de que tudo permaneça como está. Sem supresas. Sem esforço. E principalmente sem desconforto.
Isso que dá ficar assinando listas de tudo quanto é coisa que você recebe, repassar e-mails com piadas, correntes, powerpoints de autoajuda, criancinhas desaparecidas, sem sequer dar-se ao trabalho de ocultar as centenas de nomes de seus amigos e conhecidos, que vão engordar as listas de "milhões de e-mails por apenas R$ 45,00!!!"
Mas uma forma moderna de seu endereço virar mais um, é deixar sua ficha cadastral nesses sites que agora viraram moda: os de amigo secreto virtual.
Isso mesmo, em vez da velha urna feita com caixa de sapatos, estrategicamente colocada perto do café, e dos bilhetinhos escritos à mão (geralmente a esquerda pro amigo não desconfiar), numa letra de forma que você nunca usa, com canetas de tintas esquisitas ou com frases compostas com letras e palavras recortadas de jornal, agora um colega cria um espaço virtual num site tipo www.amigosecreto.qualquercoisa, e em troca de um dossiê completo de todos os funcionários da empresa (única forma de usufrurir dos serviços), o site permite que todos mandem e recebam bilhetinhos virtuais. Não sem antes clicar no "concordo" do termo de compromisso (sem ler uma linha sequer, claro) o que dá ao site o direito de vender o seu e-mail para parceiros que vão depois inundar sua caixa postal com bobagens.
Depois da festa de amigo secreto da firma, onde todo mundo – da recepcionista ao presidente – fica irreconhecível, vem a tradicional ceia de natal em família. E junto com ela todas as discussões que se repetem ano após ano como se fosse a primeira vez: vai ser na casa de quem – ahhh não! de novo? quem leva o perú? fulano nunca traz nada mas come feito um esfomeado. E a louça que sempre sobra para a vovó lavar – coitada. Xiii, acho que este ano as crianças não vão mais acreditar que o papai noel não é o tio Zé? Se não servir, pode trocar viu, eu guardei a notinha...
E alguns dias depois, reveillon. Onze e meia vamos todos para a praia, roupa branca, chinelo de dedo. Pulamos as sete ondas e a cada pulinho um pedido: pedimos por nós e para nós, pelos amigos que pouco vemos, pela família que pouco nos vê, pedimos que tudo seja diferente no ano que começa. Pedimos o melhor, fazemos propósitos de mudar e quando a festa acaba o melhor de nós fica lá esparramado na areia, sendo engolido e vomitado pelo mar no seu interminável vai e vem: nossas pegadas, nossos saquinhos plásticos, embalagens de salgadinhos, isopores, pratos e copos descartáveis, velas, flores, garrafas com restos de champanhe barato.
Imagem: oglobo.globo.com
E assim começa mais um ano, no qual acreditamos que tudo vai ser diferente, mesmo a gente continuando a fazer tudo igual. Às vezes penso que o que a gente gosta mesmo é de que tudo permaneça como está. Sem supresas. Sem esforço. E principalmente sem desconforto.
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