quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
OS VENDILHÕES DOS TEMPLOS MODERNOS
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
A pandemia do Covid-19 e o trabalho em equipe.
https://www.economist.com/business/2016/01/23/the-collaboration-curse
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
OH! HOMEM, OH! MULHER, APRENDE A DANÇAR, SENÃO OS ANJOS LÁ NO CÉU NÃO SABERÃO O QUE FAZER CONTIGO” (Agostinus)
domingo, 24 de maio de 2020
O sistema imunológico
Reclusos em nossas casas
Evitando todo contato, todo contagio
Com máscaras para nos proteger
(não dos mascarados
mas dos que não acreditam em máscaras)
Lavando e desinfetando tudo
E ainda assim sofrendo e morrendo em hospitais
Onde os respiradores não são suficientes
(tudo parece não ser suficiente)
Mas, se é verdade, e acho que sim
Que o melhor escudo está em nós
No que chamam de sistema imunológico
(algo que todos começam a dar crédito)
Se é assim
E se somos um espécime orgânico maravilhoso
Que carrega em suas entranhas
A defesa contra invasores indesejáveis
E que este exemplar que somos
É uma célula viva
Do maravilhoso corpo da humanidade
Que é o conjunto de todos nós
Será que o que causou a pandemia
E a espalhou
Não foi estar o organismo da humanidade
Em desarmonia, desorganizado?
E as suas defesas imunológicas
Que, como corpo orgânico, deveria ter
Enfraquecidas, debilitadas, destruídas?
Afinal, os que sabem
Dizem que ficamos sem defesas
Se comemos mal
Se dormimos pouco
Se levamos uma vida sedentária
Se nos intoxicamos com desejos
Se estamos em desarmonia com o que é natural
Com problemas de consciência
Que nos fazem sentir culpados
Ou com traumas da infância
Ou com a angústia não gritada
Se tudo isso não responde às leis
De como se expressa a vida
Se gastarmos energia lutando uns com os outros
Se uma parte do corpo (da humanidade) maltrata a outra
Alguns vírus indesejáveis nos contaminam
E quanto mais nos afastamos da vida
Mais a morte nos persegue a cada dia
Talvez sempre tenha sido assim
Como quando a Europa estava em desarmonia
E uma epidemia, a peste negra, ou outra
Destruiu, em seu corpo, o indesejável
Talvez na Ásia também tenha sido o caso
E na Austrália, na América...
Mas agora estamos todos juntos
A aldeia global nos entrelaçou
E o que começou na China
Já é uma pandemia em toda a terra
E a desarmonia com a natureza em Pequim
É a mesma em Buenos Aires, São Paulo,
Paris, Tokio e Berlim
Pesticidas que envenenam a terra
A envenenam em todos os lugares
O abuso acontece em todos as partes
As correntes mentais, que também envenenam
Percorrem cérebros celulares em todo o mundo
O terrorismo não é mais uma prerrogativa de um louco
É maquinado nos estados e governos
A droga não é mais o êxtase fácil de alguns viciados
Agora é mais importante do que foi o ópio na China
E grandes corporações em todo o mundo
Vivem do sangue dos ingênuos que trabalham a terra
Onde conseguir então as defesas imunológicas
Que a humanidade precisa?
Provavelmente a nível celular
Nas mitocôndrias ou, vai saber
Em que parte do organismo estará
A vida fecundada pelo trabalho do homem
Corre como sangue feito dinheiro
Através das artérias de todas as partes desse corpo
Mas a acumulação berrante provoca uma trombose
Em poucos órgãos, às vezes secundários
E àqueles que contribuem com as funções vitais
Apenas um mesquinho alvéolo, perdido, os irriga
Há apenas uma esperança
(pelo menos para mim, que pouco entendo)
A de que o próprio vírus carregue a sua morte
E com ela se irão todos os humores e tumores malignos
Que permaneçamos, aqueles que permanecerem
Exaustos, convalescentes, mas saudáveis
Talvez, sem surpresa, egoístas
Ainda com vaidades e outras fraquezas
Mas em equilíbrio e crescendo com elas
Para ser melhores, tendo aprendido
Na dor, na tragédia
Que não podemos ser menos que um animal
Que não podemos, impunemente, devorar um ao outro
Nem transgredir as leis do universo
E que entre essas leis a principal é o amor
Amor à vida
Amor a todos
Amor porque sim
Incondicional, sem esperar nada
Eu espero!
Autor: Quenrie
Abril de 2020
terça-feira, 19 de novembro de 2019
QUE GIRO!
QUEM QUER QUENTES E BOAS? QUENTINHAS!
“Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor pra casa”
Os versos que “cantam” O Homem das Castanhas, a apregoar o seu produto nas esquinas da cidade, eternizados na voz de Carlos do Carmo, é uma das marcas do outono em Portugal, onde a 11 de novembro se comemora o dia de São Martinho. A fumaça branca que se desprende dos assadores em centenas de esquinas em Lisboa, anuncia: habemus castanha assada!
Diz a lenda que um nobre cavaleiro romano andava a fazer a ronda quando viu um velho mendigo cheio de fome e de frio, porque estava quase nu. O dia estava chuvoso e o velhinho encharcado. O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar os pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada. Depois deu a metade da capa ao mendigo e partiu. Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo sol que durou três dias.
Lenda ou não o fato é que nestes próximos três dias (hoje por acaso um sol lindo entrou no nosso quarto logo pela manhã) não só Lisboa, mas muitas outras cidades, são tomadas pelos magustos e pelas festas da castanha, só comparáveis às festas da sardinha no mês de junho.
O cheiro das castanhas assadas, especialmente pra mim, traz de volta deliciosas recordações de infância, quando me juntava aos mais velhos da aldeia e junto com eles íamos para debaixo dos castanheiros de Chacim, devidamente acompanhados de dois ou três garrafões de vinho (feito em casa, óbvio, de primeira prova) e fazíamos uma grande fogueira, cuja base forrávamos com as castanhas recolhidas ali mesmo no chão, algumas retiradas ainda de dentro dos ouriços. Quando da fogueira restavam apenas cinzas e de nós pouco mais do que isso, com os garrafões já pela metade, afastávamos as cinzas e devorávamos as castanhas macias e quentinhas, acompanhadas pelo vinho que ainda restasse. A cerimônia durava o dia inteiro. A outra imagem que não se apaga é a de meia dúzia de borrachos, cantando enrolado e dançando abraçados uns aos outros (para não cairmos, óbvio), no caminho de volta pra casa no no final do dia.
Durante todo o outono a sartã (frigideira em português) toda furadinha embaixo e cheia de castanhas a assar, suspensa sobre as brasas do lume feito no chão, fazia parte então das nossas noites, reunindo na cozinha de casa – a taberna da Carolina – os melhores amigos da família.
Hmmm...quem as quer quentes e boas, quentinhas?




